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sábado, 11 de junho de 2011

MP do Rio denuncia 439 bombeiros à Justiça

sexta-feira, 10 de junho de 2011


O Ministério Público do estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça, na noite desta sexta-feira, os 429 bombeiros e os dois policiais militares presos. “Os denunciados, de forma livre e consciente, em união de ações e desígnios entre si e com outros militares, reuniram-se, assentindo em recusa conjunta de obediência, ocupando o Quartel Central do Corpo de Bombeiros Militar”, diz a denúncia apresentada, referindo-se à manifestação dos militares no dia 3 de junho. O documento ainda acentua que bombeiros praticaram violência e foram desobedientes às ordens superiores.

Quatorze bombeiros foram apontados como líderes do movimento e responsáveis pela invasão ao quartel. “A entrada foi ostensivamente instigada, promovida e orientada pelo cabo Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, que, sobre um carro de som, munido de microfone, com visão geral do movimento, orientou como e onde os manifestantes deveriam se colocar para possibilitarem a destruição dos portões e o ingresso na unidade”, diz o documento.

A denúncia do MP, subscrita pelos promotores Leonardo Cuña e Isabella Pena Lucas, foi feita no mesmo dia em que o Tribunal de Justiça do Rio concedeu um habeas corpus para soltar todos os detidos. Antes da iniciativa do Ministério Público, os líderes já diziam que o próximo passo seria pressionar pela anistia de todos os punidos, não só pela invasão ao Quartel General dos bombeiros, mas também os atingidos por ações administrativas.

Os bombeiros faziam manifestações desde abril deste ano por melhorias nas condições de trabalho e por aumento salarial. Na quinta-feira, o reajuste foi antecipado, o que significou mais 78 reais no bolso do soldado iniciante, que de 1.187 reais passará a receber 1.265 reais. A quantia ainda está distante do pedido de dois mil reais líquidos.

O governador Sérgio Cabral manifestou-se, nesta sexta, dizendo que a crise está sendo superada. E afirmou que todos têm o direito de se manifestar, desde que dentro dos padrões democráticos. "Acho que houve no episódio de sexta-feira uma situação completamente fora do que é o estado democrático de direito. Mas tenho certeza que esse é um episódio superado. É hora de olhar para frente e de retomar a rotina dos serviços públicos", afirmou em cerimônia no Palácio Guanabara.

fonte: VEJA

Um comentário:

  1. Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso

    Os bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
    Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
    Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.

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